O motivo não é a defesa dos valores democráticos, mas de que a opinião pública é ainda majoritariamente contrária a governos ditatoriais.
Resgatar esse assunto toda hora só faz com que as Forças Armadas se desgastem tendo que defender o Golpe de 1964 e, ao mesmo tempo, dizer que hoje preferem a democracia pós-1982.
Evidentemente essa narrativa das Forças Armadas é para deixar de lado cobranças por parte da sociedade civil e instituições nacionais e internacionais. Enterrar o assunto externamente e comemorar o golpe internamente nas casernas, essa é a estratégia.
Basicamente as Forças Armadas pedem para que finjamos que não teve golpe em 1964 e não cobremos explicações, e eles fingem que são democráticos e que vão defender a Constituição e o Estado. Esse é o acordo firmado durante a redemocratização entre as Forças Armadas e a classe política, não permitindo que a sociedade decidisse nada. Um acordo entre elites somente.
O problema hoje é que esse acordo está sendo rasgado pelo governo de Bolsonaro. Um governo que quer defender a Ditadura de 1964 publicamente, mudar os livros de história, fazer propaganda pró-golpistas, atacar a imprensa e etc. Esse comportamento entre em choque com o acordo proveniente da Anistia, e faz com que a sociedade volte a debater um assunto incômodo para aqueles que apoiaram e participaram da ditadura.
No fim das contas, talvez Bolsonaro esteja fazendo mais pela democracia ao trazer esse debate a tona do que achávamos!

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